08 julho 2008

Acordar às duas ou às cinco já não fazia a menor importância. O sol na janela entreaberta, o cheiro vizinho da comida não eram nada. E se um buraco no fundo de si mesmo o puxasse para outra dimensão, não importava, ia ser esse o melhor jeito de se descobrir, internamente, emocionalmente talvez. Do lado de fora pra um ângulo novo e menos desesperado.


O teto era a melhor visão que podia ter da vida, estava lá e não mudava. Não pedia novos olhares, iguais àqueles que seus quadros, um pouco mais abaixo, dobrando a esquinha, cobravam. O teto, branco e sólido, era imóvel-imexível. Mesmo com seus cantinhos embolorados e esverdeados, eram menos ameaçodores do que qualquer outro móvel que entornasse seu quarto. O armário podia ter segredos escondidos; embaixo de sua cama, os monstros verdes e as mãos que puxariam seus pés no meio da noite. Sobre a mesinha, o som dava trabalho só de pensar, nas estações e cd's criando enormes combinações de esforços. Por isso, e pelas pernas que eram fracas o bastante pra se pensar em sair dali, ele ficava. Ossos de vidro.

Estou com essa coisa de 'ossos de vidro' na cabeça, nem sei o porquê.