09 Outubro 2008
Se esse blog tivesse poros ia transpirar adolescência.
Tenho mantido essa páginas há dois anos, que foi -tem sido?- o que chamam rito de passagem, e é vergonhoso ver tanta pele escamada deixada pelo caminho. Talvez seja bonitinho essa inocência querendo virar rebeldia, daqui alguns anos, e meio que por isso não dei cabo daqui. É engraçado ler minhas macaquices, que em tão pouco tempo já não me dizem quase nada, quase nada que me importe agora. Não falo minha vida, não dou meu máximo, nunca suei por isso. São reflexões tolas, superficiais do que penso, do que eu quero, do que eu queria ser. No fundo é sempre a mesma coisa, alguém tentando se traduzir. Os artistas fazem melhor, nós tentamos.
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08 Outubro 2008
Um sonho que tive:
Dear Diary, hehe.
Uma luz bruxuleava à minha frente, virando esquinas largas de paredes altas, emaranhando-se em recônditos que não me importavam. Ela brilhava e eu a quis. Tanto que me dividi -achei que assim seria mais fácil-, cortando minha carne em dois, três, talvez em cinqüenta deixando o vermelho marcado por todo o caminho, minhas migalhas de pão. Milhares tantos de um Eu correndo por ela que andava tão calmamente, inatingível em seu modo de escorregar das mãos e invadir os sonhos, atribulando toda uma vida que era apenas um destino miserável em linha reta. Violentando minha existência por essa única esperança, tão vazia e linda, sonora aos ouvidos e, melhor, maior, tão linda.
(Na verdade era um labirinto....)
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Coisinha mais J.T. Leroy
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04 Setembro 2008
Daqueles dias em que você não acorda. Levanta cedo, escova os dentes e continua dormindo. Em que vai adiando as coisas, esperando o sol abaixar e percebe que as horas engoliram seus sonhos. Sofre bastante assistindo televisão, por horas. Abre e fecha um livro, o mesmo, sem passar de duas páginas pela sua completa falta de "isso já não faz tanto sentido, não me interessa."
Tem sido assim.
Ir na sua casa e ver o mundo desabar pela janela, bolas de fogo caindo do céu, purificando essas ruas tão sujas e amargas. Saber que tudo vai ficar pior e dormir em paz.
14 Agosto 2008
Escolha o seu:- As razões mais comuns para que um indivíduo que contempla o suicídio deixe uma última nota incluem:
a ) Aliviar a dor dos que ficam, tentando isentá-los de culpa;
b ) Aumentar a dor dos que ficam, atribuindo-lhes culpa;
c ) Esclarecer a razão do suicídio;
d ) Atrair piedade ou atenção;
e ) Deixar instruções do que fazer com o que restou.
"Lets see if this will do it."
Accidental suicide as he shot himself with a blank-loaded pistol on the set of TV spy show "Cover Up." The concussion forced a chunk of his skull into his brain; he died six days later.
~~ Jon Erik Hexum, actor, d. October 18, 1984
"Querido,
Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que depositei em você toda minha felicidade. Você sempre foi paciente comigo e incrivelmente bom. Eu queria dizer isto - todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais.
Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.
V."
Suicide note~~ Virginia Woolf, author, d. March 28, 1941
"Dying
is an art, like everything else.
I do exceptionally well"
'Lady Lazarus'
~~ Sylvia Plath, suicidal.
"Desculpem por todo esse sangue."
Suicide note
~~ Per Yngve Ohlin, singer.

08 Julho 2008
Estou com essa coisa de 'ossos de vidro' na cabeça, nem sei o porquê.
16 Junho 2008
Eu te esperei em pé, esperei sentado, esperei em pó. Na beira do abismo, mesmo na queda estava lá, deixando a porta aberta pra você passar, enquanto o vento rasgava minha inocência. Tentei. Ceguei as esperanças de todo um corpo, calejei meu coração e esfriei, estraguei, apodreci. Por você, meu amor.
Morri com o coração na boca, agoniando na grama, ouvindo a música estática do veneno abrindo seu guarda-chuva, afiado no meu estômago, abrindo e fechando, em mim. Digeri toda uma vida em três longos goles, profundos, pesados e mortais. Fui o homem mais romântico do mundo.
Obs: o show da Adriana Calcanhoto é ótimo, ainda mais ao seu lado.
22 Maio 2008
Crise, - tô em crise - cuspidizia Vera para suas paredes, roupas e porta; encontra no alto de seu armário o revólver do marido. Não exitou, disparou três balas, seu ódio em Regina, a empregada sofrida de três conduções pra chegar à labuta. Barriga, peito e joelho, do meio pra cima e para baixo, quando a combinação sangue e seda branca a fizeram arrepender-se da coisa, da morta ofuscando seu sofrimento, a única maneira da pobre, digo louca, sentir vida além de sua cobertura. Mas a vida é assim, pensou a agora assassina, um dia Paris outro dia Minha Casa, e um cadáver para compensar a desgraça.
22 Abril 2008

Imagine se o mundo fosse feito de uma sequência intermitente e sem final que não precisasse ao menos pedisse para dar uma brechinha e respirar imagina imagine melhor assim o que seriam dos sentidos e dos pulmões se não as vírgulas se elas lá não estivessem entortando-se formando aquela coisinha pontualmente graficamente fôlego VÍRGULA,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, mas só elas também, só as vírgulas porém, meu bem, não fariam o menor e nem melhor sentido, desacompanhadas.
03 Abril 2008
...se individualiza e dá os parabéns para quem pode continuar, e nós, ficamos olhando, inertes em frustrações, em poderíamos, sim, "poderíamos" ser. APODRECERÍAMOS juntos.
...Ela queria sentir verdade, algum jeito de se incomodar, mas não doía, não caía lágrima alguma, nem comove. “Bloqueie minhas angústias passando por centenas delas, sangrei por todo sofrimento e já não mais. Tornei-me repulsiva a sua indiferença, e nem sei de amor, não sei de nada. Aprendi a ser minha, egoísta-egocêntrica-mesquinha, que dá por dar mesmo, pra se sentir bem, por si...
...Era como espancar defuntos, como rasgar o pulso, uma duas três, sete vezes e não vazar. Nem meu próprio ódio pode se mostrar, não sai e eu não consigo. Essa não sou eu, é você quem fez, assim. Um em nós que brincava de esconder e mostrar sentimentos (com cuidado) pra não transparecer nada...
E se você quisesse, mais por mim que preciso, iria sem pensar. Nem de mãos dadas faria questão, nem das lâminas afiadas ou menos usadas eu faria questão. Era só pular, engolir e voar...
...Não mais respira, ora então, aspira a um mundo, novo mundo que não é seu, mas com fôlego e bastante fôlego chega lá. SERÁ?
BLHA!


